05 Novembro, 2009

Through the dificult way to make money, I go under the understanding of racionality to keep living and keep going.


Through the dificult way to make money, I go under the understanding of racionality to keep living and keep going.


Wake up, wash up, eat up, get ready and go.


Go to the repetitive action that make me get money, to allow me to do the same things again and again and again.

Is very funny when I remember the beginning of my professional carrier. I mean, the professional position I develop now.

Two years ago I started a carrier as cashier in a small supermarket in a foreign country.

Beyond the cashier position I´m a average staff. It means, I do all kinds of stuff in the shop.

After a year working there my boss came to me and offer me another position in the shop. Now I´m assistent manager. Well, it doesn´t mean a great difference between staff and assistent manager - out of more responsabilities.

Anyway, I got the opportunity and I still in the same position for a year. It means I´m working in the same place, doing the same things, with the same people, for more than two years time!

Being honest, It´s not big deal. I thing more than half of the world´s populations is doing the same at the moment. Worst maybe, they can do the same in worst conditions than me.


But I still have thoughts. I mean, this kind of position, this kind of work, kills your brain. In the beginning you still thinks about differente ways to do your job and so on. But after a long time doing the same thing, you don´t whant to think any more. You just want to work, get what you deserve (your money) and go home. With your friends, with your family, with people who likes you and want you thinking and not doing repetitive actions the best you can.


When I started in this position, I don´t know if was because of my immaturity or just because my lack of knowledge about this kind of work, but I thought was posible to avoid the "death of the brain" and keep up with my lectures and my self-exploration on things I really like.

Books, blogs, social activities, social interaction, library usage and so on.

I kill my brain when I kill my body working eight hours a day stand up, in my duty as a cashier.

Out, of course, the hours I LOST preparing my self to go and came back from the slavery.

(as a good labor I save money going by bicicle to work - 1h30 go and return)


For the one´s who wants a advice, I say you still have options to free yourself (or free your mind) from the "killing chain" of our economical system.

-First and the most difficult - leave everything behind and live wild. (here is a example of some one who make it - www.guardian.co.uk/environment/green-living-blog/2009/oct/28/live-without-money/)

-Second and probably the last option - Try to busy our life. Make a lot of things, travel, study, do a course that you never thing about. Go out. Meet people. Watch sports. Go wild. Go natural high. Feel the power of the people around you. Look them on the eyes. See other cultures, other religions, other people different of you


Well, that´s the way I try to keep my brain alive.

I want it working, for good.

Because of that I want other job, another fucking life.



choose life







07 Outubro, 2009

04 Outubro, 2009

Na era da informação é sempre importante saber de tudo ...

Literatura e informação na faixa

http://www.online-literature.com/

30 Setembro, 2009

"Querer a Verdade é confessar-se incapaz de a Criar." - Nietzsche

07 Setembro, 2009

7 de setembro

Confeso não concordar muito com a criação e existencia de datas especiais e atividades comemorativas. Porém, não nego a necessidade das mesmas.
Isso é um ritual, algo que cria a nossa identidade.
Faz pensar e refletir.
Nos constitui como parte de um sistema de simbolos e significados.
Faz a gente se identificar e reconhecer.

Por isso, hoje, em data tão especial para o nosso país. Me sinto na obrigação de contribuir com um pouco de idolatria e patriotismo. Utilizando diretamente as palavras do nosso Presidente, um tributo ao futuro e a constituição do Brasil atual.

No sete de setembro, mensagem do Presidente:

"Queridas Brasileiras e Queridos Brasileiros,


É comum que o 7 de setembro sirva para a gente enaltecer o passado e pensar o presente. Desta vez é diferente: este é o 7 de setembro do Brasil festejar o futuro. De celebrar uma nova independência.


Esta nova independência tem nome, forma e conteúdo. Seu nome é pré-sal; seu conteúdo são as gigantescas jazidas de petróleo e gás descobertas nas profundezas do nosso mar; sua forma é o conjunto de projetos de lei que enviamos, há poucos dias, ao Congresso Nacional. E que vai garantir que esta riqueza seja corretamente utilizada para o bem do Brasil e de todos os brasileiros.
Peço a cada um de vocês que acompanhe passo a passo as discussões destas leis no Congresso. Que se informe, reflita, e entre de corpo e alma nesse debate tão importante para os destinos do Brasil e para o futuro de nossos filhos e netos.
Posso resumir em duas frases a proposta do governo: de um lado, ela garante que a maior parte da riqueza do pré-sal fique nas mãos dos brasileiros; de outro, ela impede que qualquer governante gaste de forma irresponsável estes recursos. E mais: obriga que este dinheiro seja aplicado em educação, ciência e tecnologia, cultura, defesa do meio-ambiente e combate à pobreza.


Minhas amigas e meus amigos,


O pré-sal é uma das maiores descobertas de todos os tempos. Ainda não se pode dizer, com exatidão, quantos bilhões de barris de petróleo existem nele. Mas já se pode garantir, com toda segurança, que ele colocará o Brasil entre os países com maiores reservas de petróleo e gás do mundo.


Elas se espalham por uma área de 149 mil quilômetros quadrados, que começa no litoral do Espírito Santo e termina no de Santa Catarina. É uma área do tamanho do estado do Ceará.


As jazidas ficam debaixo de uma lâmina de água e de camada de sal, que, em alguns pontos, correspondem a dez morros do corcovado empilhados.


Minhas amigas e meus amigos,


O que deve fazer um povo livre, responsável e soberano ao receber tamanha dádiva de deus? Garantir que esta riqueza não escape de suas mãos, buscar os meios mais eficientes de explorá-la e modernizar suas leis para não repetir os erros de outros países.


A história tem mostrado que a riqueza do petróleo é uma faca de dois gumes. Quando bem explorada, traz progresso para o povo. Quando mal explorada, ela traz conflitos, desperdícios, agressão ao meio-ambiente, desorganização da economia e privilégios para uns poucos. Assim, alguns países pobres, ricos em petróleo, não conseguiram jamais sair da miséria.


Por isso, dei orientações bem claras aos ministros. Primeira: o petróleo e o gás pertencem ao povo brasileiro. Como no pré-sal, os possíveis sócios terão poucos riscos, eles não podem ficar com a parte da renda. Ela tem que ser do povo. Segunda orientação: o Brasil não pode ser um mero exportador de óleo cru. Vamos agregar valor aqui dentro, exportando derivados, como gasolina, diesel e produtos petroquímicos, que valem muito mais. Vamos construir uma poderosa indústria de equipamentos e serviços e gerar milhares e milhares de empregos brasileiros. Terceira orientação: não vamos nos deslumbrar e sair por aí, como novos ricos, torrando dinheiro em bobagens. O pré-sal é um passaporte para o futuro. Vamos investir seus recursos naquilo que temos de mais precioso e promissor: nossos filhos, nossos netos, nosso futuro.


Minhas amigas e meus amigos,


Os ministros seguiram estas diretrizes e honraram o compromisso com o povo brasileiro. A principal mudança que estamos propondo é que, nas áreas ainda não exploradas do pré-sal, passe a vigorar o modelo de partilha. Quase todos os países que têm grandes reservas e baixo risco de exploração adotam este sistema. Ele garante que o estado e o povo continuem donos da maior parte do óleo e do gás mesmo depois de sua extração.


Estamos propondo, também, que a Petrobras seja a operadora de toda área. Ou seja, exerça atividades de exploração e produção, com uma participação mínima de 30% em todos os blocos.


Não podia ser diferente. Afinal, temos dentro de casa uma das maiores, melhores e mais respeitadas empresas de petróleo do mundo. Assim saberemos tudo sobre as reservas, aperfeiçoaremos nossa tecnologia e faremos da Petrobras uma empresa ainda mais forte.


Este trabalho será complementado pela Petro-sal, uma nova empresa estatal, enxuta e altamente qualificada, que vai gerir os contratos de partilha e os de comercialização. Ela não vai concorrer com a Petrobras. Sua função é outra - a de ser o olho do povo na fiscalização de toda operação.


Minhas amigas e meus amigos,


Hoje o Brasil tem todas as condições políticas, econômicas e tecnológicas para enfrentar este desafio. A economia do Brasil vive um novo momento. De 2003 a 2008, crescemos em média, 4,1% ao ano. Nos últimos dois anos, mais que 5%. O país gerou cerca de onze milhões de empregos com carteira assinada. O desemprego caiu fortemente, de 11,7% em 2003, para 8% hoje. As taxas de juros são as menores das últimas décadas.


Não só pagamos a dívida externa, como acumulamos reservas de 215 bilhões de dólares. E mais: reduzimos a miséria e as desigualdades. Mais de 30 milhões de brasileiros saíram da linha da pobreza. E destes, 20 milhões ingressaram na nova classe média, fortalecendo o mercado interno e dando vigoroso impulso à nossa economia.


O fato é que hoje temos uma economia organizada e em crescimento, que foi testada na mais grave crise internacional desde 29 e saiu-se muito bem. Não só não quebramos, como fomos um dos últimos países a entrar na crise e estamos sendo um dos primeiros a sair dela. Antes, éramos alvo de chacotas e de imposições. Hoje, nossa voz é ouvida lá fora com atenção e respeito.


A Petrobras de hoje é a cara deste novo Brasil. É a oitava maior empresa do mundo. Não existe nenhuma empresa, na Europa, do tamanho dela. Nas Américas, fica atrás apenas de três gigantes norte-americanas. E é a segunda empresa em lucratividade. E, entre as petroleiras, a segunda em valor de mercado no mundo.


A Petrobras chegou aí, entre outros motivos, porque este governo acreditou e investiu, dando condições para que ela aumentasse a produção, encomendasse plataformas, sondas, modernizasse e ampliasse refinarias, treinasse e contratasse funcionários. Além de construir uma grande infra-estrutura de gás natural e entrar na área de biocombustíveis.

O coroamento deste esforço foi exatamente a descoberta, pela própria Petrobras, das reservas do pré-sal. Um feito extraordinário, que encheu de admiração o mundo e de orgulho os brasileiros.


Minhas amigas e meus amigos,

Este é um governo que acredita no Brasil e no que ele tem de mais rico: o seu povo.


É por isso que propomos que os recursos do pré-sal sejam colocados em um fundo social, controlado pela sociedade, e que será aplicado, majoritariamente, em desenvolvimento humano. De um lado, o novo fundo será uma mega-poupança, um passaporte para o futuro, que nos ajudará, entre outras coisas, a pagar a imensa dívida que o País tem com a educação e a pobreza.


De outro lado, funcionará, também, como um dique contra a entrada desordenada de dinheiro externo, evitando seus efeitos nocivos e garantindo que nossa economia siga saudável, forte e baseada no trabalho e no talento de nossa gente.


Todos estes temas estão agora em discussão no Congresso Nacional e eu sei que contaremos, mais uma vez, com o apoio livre e soberano do Legislativo na construção deste novo Brasil.

Uma ação desta amplitude só pode ocorrer, de forma saudável, em um ambiente democrático. A democracia é o ambiente mais saudável para o crescimento.


O embate e a paixão política fazem parte do universo democrático, mas não podemos deixar que interesses menores retardem ou desviem a marcha do futuro.


Uma democracia só se fortalece com a participação da sociedade. Por isso se mobilize, converse com seus amigos, escreva pra seu deputado, seu senador, pra que eles apoiem o que é melhor para o Brasil.


O Brasil não tem medo de crescer, nem de buscar os melhores caminhos. Não vai ficar preso a dogmas, a modelos fechados ou a falsas verdades.


O Brasil acredita no livre mercado mas também no papel do estado como indutor do desenvolvimento. E saberá sempre buscar o equilíbrio que garanta o melhor para seu povo.


Queridas brasileiras e queridos brasileiros,


É tempo de ampliarmos, ainda mais, a nossa esperança no Brasil. A independência não é um quadro na parede nem um grito congelado na história. A independência é uma construção do dia-a-dia. A reinvenção permanente de uma nação. A caminhada segura e soberana para o futuro.


Viva o 7 de setembro! Boa noite!"

02 Setembro, 2009

Hino à Justiça

Este mundo da injustiça globalizada
José Saramago

Ciberfil Literatura Digital

Versão para Acrobat Reader por Marcelo C. Barbão

Março de 2002

Permitida a distribuição

Visite nosso site: www.ciberfil.hpg.ig.com.br ou mande-nos um e-mail: ciberfil@yahoo.com

Texto lido na cerimônia de encerramento do Fórum Social Mundial 2002

Começarei por vos contar em brevíssimas palavras um facto notável da vida camponesa ocorrido numa aldeia dos arredores de Florença há mais de quatrocentos anos. Permito-me pedir toda a vossa atenção para este importante acontecimento histórico porque, ao contrário do que é corrente, a lição moral extraível do episódio não terá de esperar o fim do relato, saltar-vos-á ao rosto não tarda.

Estavam os habitantes nas suas casas ou a trabalhar nos cultivos, entregue cada um aos seus afazeres e cuidados, quando de súbito se ouviu soar o sino da igreja. Naqueles piedosos tempos (estamos a falar de algo sucedido no século XVI) os sinos tocavam várias vezes ao longo do dia, e por esse lado não deveria haver motivo de estranheza, porém aquele sino dobrava melancolicamente a finados, e isso, sim, era surpreendente, uma vez que não constava que alguém da aldeia se encontrasse em vias de passamento. Saíram portanto as mulheres à rua, juntaram-se as crianças, deixaram os homens as lavouras e os mesteres, e em pouco tempo estavam todos reunidos no adro da igreja, à espera de que lhes dissessem a quem deveriam chorar. O sino ainda tocou por alguns minutos mais, finalmente calou-se. Instantes depois a porta abria-se e um camponês aparecia no limiar. Ora, não sendo este o homem encarregado de tocar habitualmente o sino, compreende-se que os vizinhos lhe tenham perguntado onde se encontrava o sineiro e quem era o morto. "O sineiro não está aqui, eu é que toquei o sino", foi a resposta do camponês. "Mas então não morreu ninguém?", tornaram os vizinhos, e o camponês respondeu: "Ninguém que tivesse nome e figura de gente, toquei a finados pela Justiça porque a Justiça está morta."

Que acontecera? Acontecera que o ganancioso senhor do lugar (algum conde ou marquês sem escrúpulos) andava desde há tempos a mudar de sítio os marcos das estremas das suas terras, metendo-os para dentro da pequena parcela do camponês, mais e mais reduzida a cada avançada. O lesado tinha começado por protestar e reclamar, depois implorou compaixão, e finalmente resolveu queixar-se às autoridades e acolher-se à protecção da justiça. Tudo sem resultado, a expoliação continuou. Então, desesperado, decidiu anunciar urbi et orbi (uma aldeia tem o exacto tamanho do mundo para quem sempre nela viveu) a morte da Justiça. Talvez pensasse que o seu gesto de exaltada indignação lograria comover e pôr a tocar todos os sinos do universo, sem diferença de raças, credos e costumes, que todos eles, sem excepção, o acompanhariam no dobre a finados pela morte da Justiça, e não se calariam até que ela fosse ressuscitada. Um clamor tal, voando de casa em casa, de aldeia em aldeia, de cidade em cidade, saltando por cima das fronteiras, lançando pontes sonoras sobre os rios e os mares, por força haveria de acordar o mundo adormecido... Não sei o que sucedeu depois, não sei se o braço popular foi ajudar o camponês a repor as estremas nos seus sítios, ou se os vizinhos, uma vez que a Justiça havia sido declarada defunta, regressaram resignados, de cabeça baixa e alma sucumbida, à triste vida de todos os dias. É bem certo que a História nunca nos conta tudo...

Suponho ter sido esta a única vez que, em qualquer parte do mundo, um sino, uma campânula de bronze inerte, depois de tanto haver dobrado pela morte de seres humanos, chorou a morte da Justiça. Nunca mais tornou a ouvir-se aquele fúnebre dobre da aldeia de Florença, mas a Justiça continuou e continua a morrer todos os dias. Agora mesmo, neste instante em que vos falo, longe ou aqui ao lado, à porta da nossa casa, alguém a está matando. De cada vez que morre, é como se afinal nunca tivesse existido para aqueles que nela tinham confiado, para aqueles que dela esperavam o que da Justiça todos temos o direito de esperar: justiça, simplesmente justiça. Não a que se envolve em túnicas de teatro e nos confunde com flores de vã retórica judicialista, não a que permitiu que lhe vendassem os olhos e viciassem os pesos da balança, não a da espada que sempre corta mais para um lado que para o outro, mas uma justiça pedestre, uma justiça companheira quotidiana dos homens, uma justiça para quem o justo seria o mais exacto e rigoroso sinónimo do ético, uma justiça que chegasse a ser tão indispensável à felicidade do espírito como indispensável à vida é o alimento do corpo. Uma justiça exercida pelos tribunais, sem dúvida, sempre que a isso os determinasse a lei, mas também, e sobretudo, uma justiça que fosse a emanação espontânea da própria sociedade em acção, uma justiça em que se manifestasse, como um iniludível imperativo moral, o respeito pelo direito a ser que a cada ser humano assiste.

Mas os sinos, felizmente, não tocavam apenas para planger aqueles que morriam. Tocavam também para assinalar as horas do dia e da noite, para chamar à festa ou à devoção dos crentes, e houve um tempo, não tão distante assim, em que o seu toque a rebate era o que convocava o povo para acudir às catástrofes, às cheias e aos incêndios, aos desastres, a qualquer perigo que ameaçasse a comunidade. Hoje, o papel social dos sinos encontra-se limitado ao cumprimento das obrigações rituais e o gesto iluminado do camponês de Florença seria visto como obra desatinada de um louco ou, pior ainda, como simples caso de polícia. Outros e diferentes são os sinos que hoje defendem e afirmam a possibilidade, enfim, da implantação no mundo daquela justiça companheira dos homens, daquela justiça que é condição da felicidade do espírito e até, por mais surpreendente que possa parecer-nos, condição do próprio alimento do corpo. Houvesse essa justiça, e nem um só ser humano mais morreria de fome ou de tantas doenças que são curáveis para uns, mas não para outros. Houvesse essa justiça, e a existência não seria, para mais de metade da humanidade, a condenação terrível que objectivamente tem sido. Esses sinos novos cuja voz se vem espalhando, cada vez mais forte, por todo o mundo são os múltiplos movimentos de resistência e acção social que pugnam pelo estabelecimento de uma nova justiça distributiva e comutativa que todos os seres humanos possam chegar a reconhecer como intrinsecamente sua, uma justiça protectora da liberdade e do direito, não de nenhuma das suas negações. Tenho dito que para essa justiça dispomos já de um código de aplicação prática ao alcance de qualquer compreensão, e que esse código se encontra consignado desde há cinquenta anos na Declaração Universal dos Direitos Humanos, aquelas trinta direitos básicos e essenciais de que hoje só vagamente se fala, quando não sistematicamente se silencia, mais desprezados e conspurcados nestes dias do que o foram, há quatrocentos anos, a propriedade e a liberdade do camponês de Florença. E também tenho dito que a Declaração Universal dos Direitos Humanos, tal qual se encontra redigida, e sem necessidade de lhe alterar sequer uma vírgula, poderia substituir com vantagem, no que respeita a rectidão de princípios e clareza de objectivos, os programas de todos os partidos políticos do orbe, nomeadamente os da denominada esquerda, anquilosados em fórmulas caducas, alheios ou impotentes para enfrentar as realidades brutais do mundo actual, fechando os olhos às já evidentes e temíveis ameaças que o futuro está a preparar contra aquela dignidade racional e sensível que imaginávamos ser a suprema aspiração dos seres humanos. Acrescentarei que as mesmas razões que me levam a referir-me nestes termos aos partidos políticos em geral, as aplico por igual aos sindicatos locais, e, em consequência, ao movimento sindical internacional no seu conjunto. De um modo consciente ou inconsciente, o dócil e burocratizado sindicalismo que hoje nos resta é, em grande parte, responsável pelo adormecimento social decorrente do processo de globalização económica em curso. Não me alegra dizê-lo, mas não poderia calá-lo. E, ainda, se me autorizam a acrescentar algo da minha lavra particular às fábulas de La Fontaine, então direi que, se não interviermos a tempo, isto é, já, o rato dos direitos humanos acabará por ser implacavelmente devorado pelo gato da globalização económica.

E a democracia, esse milenário invento de uns atenienses ingénuos para quem ela significaria, nas circunstâncias sociais e políticas específicas do tempo, e segundo a expressão consagrada, um governo do povo, pelo povo e para o povo? Ouço muitas vezes argumentar a pessoas sinceras, de boa fé comprovada, e a outras que essa aparência de benignidade têm interesse em simular, que, sendo embora uma evidência indesmentível o estado de catástrofe em que se encontra a maior parte do planeta, será precisamente no quadro de um sistema democrático geral que mais probabilidades teremos de chegar à consecução plena ou ao menos satisfatória dos direitos humanos. Nada mais certo, sob condição de que fosse efectivamente democrático o sistema de governo e de gestão da sociedade a que actualmente vimos chamando democracia. E não o é. É verdade que podemos votar, é verdade que podemos, por delegação da partícula de soberania que se nos reconhece como cidadãos eleitores e normalmente por via partidária, escolher os nossos representantes no parlamento, é verdade, enfim, que da relevância numérica de tais representações e das combinações políticas que a necessidade de uma maioria vier a impor sempre resultará um governo. Tudo isto é verdade, mas é igualmente verdade que a possibilidade de acção democrática começa e acaba aí. O eleitor poderá tirar do poder um governo que não lhe agrade e pôr outro no seu lugar, mas o seu voto não teve, não tem, nem nunca terá qualquer efeito visível sobre a única e real força que governa o mundo, e portanto o seu país e a sua pessoa: refiro-me, obviamente, ao poder económico, em particular à parte dele, sempre em aumento, gerida pelas empresas multinacionais de acordo com estratégias de domínio que nada têm que ver com aquele bem comum a que, por definição, a democracia aspira. Todos sabemos que é assim, e contudo, por uma espécie de automatismo verbal e mental que não nos deixa ver a nudez crua dos factos, continuamos a falar de democracia como se se tratasse de algo vivo e actuante, quando dela pouco mais nos resta que um conjunto de formas ritualizadas, os inócuos passes e os gestos de uma espécie de missa laica. E não nos apercebemos, como se para isso não bastasse ter olhos, de que os nossos governos, esses que para o bem ou para o mal elegemos e de que somos portanto os primeiros responsáveis, se vão tornando cada vez mais em meros "comissários políticos" do poder económico, com a objectiva missão de produzirem as leis que a esse poder convierem, para depois, envolvidas no açúcares da publicidade oficial e particular interessada, serem introduzidas no mercado social sem suscitar demasiados protestos, salvo os certas conhecidas minorias eternamente descontentes...

Que fazer? Da literatura à ecologia, da fuga das galáxias ao efeito de estufa, do tratamento do lixo às congestões do tráfego, tudo se discute neste nosso mundo. Mas o sistema democrático, como se de um dado definitivamente adquirido se tratasse, intocável por natureza até à consumação dos séculos, esse não se discute. Ora, se não estou em erro, se não sou incapaz de somar dois e dois, então, entre tantas outras discussões necessárias ou indispensáveis, é urgente, antes que se nos torne demasiado tarde, promover um debate mundial sobre a democracia e as causas da sua decadência, sobre a intervenção dos cidadãos na vida política e social, sobre as relações entre os Estados e o poder económico e financeiro mundial, sobre aquilo que afirma e aquilo que nega a democracia, sobre o direito à felicidade e a uma existência digna, sobre as misérias e as esperanças da humanidade, ou, falando com menos retórica, dos simples seres humanos que a compõem, um por um e todos juntos. Não há pior engano do que o daquele que a si mesmo se engana. E assim é que estamos vivendo.

Não tenho mais que dizer. Ou sim, apenas uma palavra para pedir um instante de silêncio. O camponês de Florença acaba de subir uma vez mais à torre da igreja, o sino vai tocar. Ouçamo-lo, por favor.

18/03/2002
Até que ponto nos colocamos na posição de juiz? Julgando o que nos vem como verdade de outras fontes...
Temos o direito de julgar? Como devemos interagir com verdades que julgamos falsas?
E qual é a finalidade do julgamento? Qual é o objetivo do julgar?
Existe interação positiva ou negativa com a "verdade" confrontada?

Enfim, são muitas as coisas que vemos em nosso cotidiano pelo mundo. Porém, são poucas as coisas que realmente nos chamam a atenção.

Serão elas verdade ou não ?

25 Agosto, 2009

Desocupação territorial, isso é real?


Não foi fácil olhar aqueles rostos, lágrimas tentavam cobrir o vermelho que a fumaça trouxe.

perder tudo é falar bobagem, perderam o pouco que tinham.

800 famílias.

um terreno partícular.

a justiça em ação, nesses casos ela funciona, o terreno vai voltar para o proprietário, que por tanto tempo nunca foi lá usar.

tinha mais de 500 policiais.

Vai um grande salve pros bombeiros, que mesmo sem a água chegar, fizeram o possível para os moradores não perderem mais, muitos sairam passando mal intoxicados, também tinha uma equipe fiminina da PM que veio trazer água pra gente e leite, lição de humildade em meio ao caos.

Ferrez - http://ferrez.blogspot.com/2009/08/capao-redondo-24-de-agosto-de-2009.html

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Nesta segunda-feira, cerca 1500 cidadãos que ocupavam há 2 anos um terreno pertencente à Viação Campo Limpo (empresa de ônibus) no Capão Redondo foram jogados no olho da rua sob o som, a fumaça e o impacto das bombas e tiros disparados pela tropa de choque da polícia militar.

Nenhuma solução habitacional foi apresentada para as famílias despejadas. Por enquanto, o Estado brasileiro só agiu para defender a propriedade privada ociosa. Uma rua cheia de lama será a casa destas pessoas na fria noite de hoje. Amanhã, nem isso.

Apocalipse Motorizado - http://www.apocalipsemotorizado.net/

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Assista o vídeo - Violentamente Pacífico.

em

http://www.apocalipsemotorizado.net/




18 Agosto, 2009


Copiado descaradamente do fotolog da mônica (http://www.fotolog.com/mandingando__33/84615158)

17 Agosto, 2009

Direto do blog Dissonancia.com




FUMAR ES DE DERECHA: El consumo de cigarros suele coincidir con los intereses de la ideología dominante. En materia económica, supone un importante apoyo a las grandes compañías tabacaleras, en el terreno ideológico refuerza los valores de la sociedad de consumo, la productividad, competitividad, etc. y a nivel popular, su uso está incorporado en la población y no es fácilmente sustituible.


(ALEMANY y ROSSELL, 1981:8)

FUMAR ES DE DERECHA desglosar el “propio concepto de droga”. Éste es uno de los temas centrales a la hora de abordar los estereotipos en drogodependencia. En un principio, debemos considerar qué entendemos por “droga” y cuáles son todas sus dimensiones, especialmente las culturales y simbólicas. Es importante tener en cuenta que es la sociedad la que determina qué sustancia es droga y cuál no lo es, por lo tanto, la lógica sociocultural es la que impera por encima de la científica. No se considera droga un rivotrit, whisky escocés o un camel light, al contrario da status. Entonces, en el mundo occidental, se identifica claramente las drogas ilegales como extremadamente peligrosas, (cannabis, cocaína y opiáceos), mientras que son consideradas menos relevantes las drogas como el tabaco, el alcohol o los psicofármacos por lo que la carga negativa de la representación social es nula. Éstas son ejemplos claros de drogas sociales comúnmente aceptadas y legitimadas. Y es la guerra que te propongo hacer, ya que la legitimación que tienen es hipócrita: el grado de cada vez más jóvenes que ha crecido en los últimos años. La publicidad vincula el consumo del cigarro con deportes extremos y actividades recreativas. Y como dice la contra... Si fumaras, no serías capaz destrepar montañas, manejar un fórmula 1 o cruzar desiertos... Tu cuerpo y tus pulmones no podrían tolerarlo... Porque el marketing un producto debe ser susceptible de ser ofrecido para satisfacer una necesidad o deseo, haciendo referencia no sólo a los objetos tangibles que se producen para luego ser vendidos, sino también a aquellos intangibles, como son las ideas que pueden satisfacer alguna necesidad o deseo.

La razón fundamental por la cual los consumidores consumen un producto en particular, se debe a las ventajas buscadas con la adquisición del producto, en razón de su personalidad, comportamiento, estilo de vida, etc. des y deseos, reales o inducidos, de los potenciales consumidores. Es relevante destacar que es a partir de las necesidades y deseos inducidos (y no reales) que se constituyen los consumidores de tales productos o servicios en particular. Por ejemplo, se cree que se necesita coca-cola (aunque en realidad es un deseo inducido y lo que se necesita es agua). Hay determinados productos y servicios que han sido introducidos al mercado mediante largas campañas que hoy en día es impensable su falta: equipos de música, televisión, gaseosas, celulares, etc. Como dice la publicidad antes señalada, creemos que sería sencillamente imposible vivir sin estos productos, mientras en realidad no es así. Si uno no tiene televisión o teléfono no se muere. Es cierto que producen importantes ventajas al consumidor, pero no son indispensables para las funciones vitales. Tengo amigas que sólo fumadoras sociales, otras q se refieren a los cigarros como “mis compañeros”. Algunos creen que los inspira,. Bah... Yo creo en el superhombre de Nietzsche, se puede soportar vivir, nos hace más fuerte. Somos un puente y no una meta. Las personas entran en ese cause muchas veces porque les conviene, porque tienen problemas emocionales, sociales, profesionales o psicológicos, y se refugian ahí como una excusa muy buena para escenificar su necesidad de ayuda y de dependencia.

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Pessoal tirei esse texto do blog http://www.dissonancia.com/
Ótima fonte de informação, conhecimento e entretenimento.
Acessem.


Sem direito a ponto final

Veja o que quiseres...

Se é a máscara que queres, coloco-a na frente para poderes ve-la (e julga-la) melhor.

Tudo o que pensas de mim é axatamente o que te tira do meu caminho.
Você pensa menos em mim e mais na imagem que construiu.
O que pensas não sou eu!
É passado. Ficou.
Assim como você.

Tchau
sem direito a ponto final


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Now playing: Valete - Liricistas (Feat. Adamastor Chullage,Ace & fuse)
via FoxyTunes

23 Julho, 2009

21 Julho, 2009

A história das coisas

Video retirado do Youtube - http://www.youtube.com/watch?v=lgmTfPzLl4E - que mostra de maneira didática o sistema de produção linear e as consequencias do mesmo para o planeta terra e para as pessoas consequentemente.

20 Julho, 2009

15 Julho, 2009

Kafka

Achei essa imagem tão kafkiana que me rendi a posta-la e fazer um comentário sobre a obra desse autor!

Realmente gosto da forma que Kafka escreve (ou escrevia) !! Mesmo lendo apenas comentadores (não tenho forças para aprender checo) e sabendo as limitações que a tradução da lingua causa a leiura de um texto, Kafka foi para mim, marcante. Mesmo não lendo todas as obras desse autor,
nem muitas tb. Kafka foi um dos primeiros que me convenceu a ler o mesmo livro mais de uma vez.

Quando comecei a ler "carta ao pai", não consegui parar mais. Como dizem por aí, destrui, comi, devorei, li tudinho do livro. De cabo a rabo. Não contente, indiquei a obra para todas as pessoas que conhecia. Ainda não contente, reli. E reli de novo. Sempre que terminava pensava: "Cara, esse livro é muito bom". Entretanto, o que mais se facinava era a forma em que eu conseguia ver o que se passava no livro e nem tanto a história em si. A descrição de Kafka sobre a vida dele era tão real que conseguia imagina-lo ao meu lado. Sem muito esforço. Vendo claramente o sofrimento do garoto diante o mundo que o rodiava. Com o tempo, fui cristalizando a idéia que a obra, por fim, não era apenas um relato pessoal. Mas sim, um convite a filosofia do cotidiano. A filosofia imaginativa que consegue nos transportar para além do nosso corpo e nos faz ter uma visão mais ampla sobre o mundo a nossa volta.

Tendo essa pré-idéia do trabalho de Kafka, fui atrás de outras fontes para confirmar a teoria.
Dito e feito, li a "Metamorfose" (algumas vezes também) e confirmei o que pensava!
O livro é curtíssimo, como "Carta ao pai", porém mostra a mesma visão de uma forma mais ampla. Kafka não narra a sim mesmo. Mas narra a história em terceira pessoa. O que amplia a visão da história, consegue mostrar mais o contexto geral e esclarece o convite a filosofia imaginativa. Na "Metamorfose" do personagem - de pessoa a barata, todos nós podemos nos ver.
Somos a barata de dia e a pessoa de noite, e vice e versa.
Cada atitude, ação, expressão, nos possiciona entre o 8 e o 80. Isso também envolve o que temos e, consequentemente, o que não temos. Kafka assim nos mostra o quão insignificante(inseto) podemos ser para aqueles que nos tem como iguais...
Mais uma vez, somos convidados por Kafka à olhar a nossa volta e a si mesmos. A visão do cotidiano coletivo e a constituição da sociedade como pilar moldador dos laços de interesse e ação, são problematizados e questionados pelo autor.

Terminado a minha história com Kafka, li o "O Processo". Esse sim um livro pesado! Bem maior e bem mais denso que os dois primeiros que li. Porém, um livro bem mais completo. Porém seguindo a mesma linha e estilo de "Metamorfose". O livro também é narrado em terceira pessoa e conta com um personagem que, como em "Metamorfose" não sabe o que está acontecendo a seu redor. O que parece é que da mesma forma que culpamos o "sistema" pelo erros da sociedade, o personagem de "O Processo" o faz. Sem saber o que está acontecendo ao seu redor, vai sendo levado ao fim, esgotamento físico e mental. Acorda em um dia normal sendo abordado por polícias que o levam preso, sem motivos. Assim começa o livro onde o personagem vai sofrendo com um processo que não encontra nenhuma conformidade e coerencia, sendo vítima de uma perseguição.
Como todos os personagens de Kafka nos livros que li, a perseguição e a culpa estão sendo caminhando juntas. Os personagens kafkianos sofrem psicologicamente com a dúvida constante entre vítimas ou criminosos. Essa questão está sempre na cabeça, atormentando.
Kafka nos põem a mesma minhoca na cabeça. Nos faz questionar nosso papel na sociedade em que livemos. Nos coloca de bandeja o contexto, explicitando o cenário e convidando ao debate!


--------------------------------Sobre o autor (Wikipedia)

Franz Kafka (língua tcheca: František Kafka)(Praga, 3 de julho de 1883 - Klosterneuburg, 3 de junho de 1924) foi um dos maiores escritores de ficção da Língua alemã do século XX. Kafka nasceu numa família de classe média judia em Praga, Áustria-Hungria (agora República Tcheca). O corpo de obras suas escritas— a maioria incompleta e publicadas postumamente[1]— destacam-se entre as mais influentes da Literatura ocidental[2].

Seu estilo literário presente em obras como a novela A Metamorfose (1915), e romances incluindo O Processo (1925) e O Castelo (1926) retratam indivíduos preocupados em um pesadelo de um mundo impessoal e burocrático.

--------------------------------Outros Autores semelhantes
Albert Camus
Nikolai Gogol

14 Julho, 2009

Economia e arte visual contemporânea

Artigo do ministro da Cultura, Gilberto Gil, publicado no jornal O Estado de S. Paulo - SP, 11/02/2008

Atualmente, a inovação no campo da arte não se restringe ao questionamento de suportes tradicionais

A contemporaneidade é pensada pela arte em termos de intensidade e de agenciamento; o valor de cada obra é sua capacidade de se afirmar em relação ao presente. Sabemos que hoje cada manifestação do processo criativo está integrada ao mundo de uma economia atuante e catalisadora fundada na dinâmica do novo. A economia contemporânea tem na arte o modelo, já que a produção de bens se tornou cada vez mais “imaterial”, operando por diferenciais simbólicos consumidos pelo público. O sistema de trocas, valorizações, equivalências e diferenciações no espaço global se alimenta da força vital que é produzida pelos processos artísticos em uma rede inteligente que gira em torno do mundo.

Atualmente, a inovação no campo da arte não se restringe ao questionamento de suportes tradicionais, porque a densidade de cada obra reside no apontamento de conceitos e tendências que ela propõe como “valores”. Se a arte se impõe como objeto de desejo aos que buscam possuí-la, seja pela compra ou pelo domínio intelectual, o consumo de arte também produz capacidades emancipatórias e possibilita reapropriações criativas. A atividade estética estimula os ambientes de inovação em nossa sociedade, porque “obras de arte” se converteram em potência instauradora da “experiência contemporânea”.

A arte hoje está situada em um campo cultural mais amplo, algo que chamamos de “economia da experiência”, como a moda, a gastronomia e a arquitetura, que dão feições criativas e inovadoras ao ambiente das cidades globais. Dessa forma, o mundo econômico imita o mundo da produção artística, estabelecendo negócios com a experiência proposta por obras contemporâneas. Isso ocorre mesmo quando a arte questiona o mundo econômico ou o desmobiliza através de dispositivos perceptivos, tecnológicos ou intelectuais. Mas a arte continua buscando dissolver com ironia essa fixação por um “design de experiência” que persegue a sociedade de consumo contemporânea. A grande questão a nos desafiar hoje é: como pode a arte conviver ativamente com o mundo econômico sem se desintegrar na dinâmica de mercado, evitando perder valores próprios e aniquilar potências simbólicas?

Esse foi o impasse que nos mobilizou a organizar a mostra de artistas brasileiros na Arco8 na Espanha, uma das maiores feiras de arte contemporânea da atualidade. A presença do Brasil como convidado em destaque no evento celebra a produção visual ao permitir conhecimentos de seus múltiplos valores. Uma tradução cultural para o contexto de Madri daquilo que atualmente é desafio no campo estético brasileiro, mostrando respostas artísticas arejadas que se diferenciam no sistema global. Os curadores, Paulo Sergio Duarte e Moacir dos Anjos, tiveram autonomia para eleger obras e estabelecer parâmetros junto ao MinC, assumindo a responsabilidade de fazer significativo recorte de nossa produção contemporânea. A opção foi inverter o processo seletivo usual em feiras comerciais e estabelecer o foco em artistas, no reconhecimento crítico. Ousaram afirmar o momento vivido no qual o valor cultural abre ao universo econômico possibilidades que ele mesmo não teria condições de impor, criando oportunidades de expansão do mercado. Além da feira, Madri verá em muitas instituições a riqueza da arte que nos afirma como nação contemporânea.

Ao lado de nomes conhecidos, foram incluídos outros que ainda não têm a visibilidade internacional, como artistas no início de suas carreiras, que aos poucos se afirmam no País como referências da atualidade. Na mostra brasileira que levaremos à Arco buscaremos mostrar várias gerações das artes visuais brasileiras hoje em convívio. Investimos também no sentido histórico e crítico que emerge do século 20, referenciais sedimentados por Hélio Oiticica, Mira Schendel, Lygia Clark, Geraldo de Barros e tantos outros. A permanência dinâmica desse campo é visível em desdobramentos realizados por artistas como Cildo Meireles, Antônio Dias, Tunga, Paulo Bruscky, entre outros.

Temos uma arte que torna visível a complexidade do País que vive aberturas e deslocamentos no mundo contemporâneo. Apresentamos no projeto o que dá carga semântica ao que afirmamos como “diversidade cultural”. Essa a nossa diretriz em políticas culturais aquém e além fronteiras. O exposto é processo vivo de consolidação, no contexto brasileiro, da arte contemporânea mundial, assim como de coleções e instituições internacionalizadas. Hoje somos vetor marcante na cultura global, no campo de visualidades e visibilidades, justamente porque nosso ambiente humano e estético, biopolítico e tecnológico, simboliza a noção de “diversidade cultural”, com todos conflitos e dissonâncias implicados nesse termo.

Buscamos compor o ambiente das exposições em elementos construtivos que aliam contigüidade e transparência, um meio cultural que se esquiva de amarras, blindagens ou modismos, seja no elogio irrestrito a expressões supostamente “locais”, seja na adesão fácil a linguagens que se pretendem “universais”. Se o local é o irredutível que emerge em cada momento de nossa simbolização e o universal o seu oposto, não nos deixamos jamais fixar a um ou a outro desses pólos extremados, que querem capturar a vitalidade do que nos é contemporâneo. Nossa participação na Arco, assim como o conjunto das políticas desenvolvidas pelo Ministério da Cultura, partem desse princípio agregador e abrangente da contemporaneidade. Nossa vitalidade e nossa força criativa só serão plenas e devidamente fortes se resultarem da soma, da pluralidade de expressões e linguagens que nos caracterizam e nos diferenciam no mundo. Esse é o Brasil que conhecemos, esse é o Brasil que queremos mostrar.

13 Julho, 2009

Direto do Blog do Saramago

Leituras para o Verão

By José Saramago

Com os primeiros calores, já se sabe, é fatal como o destino, jornais e revistas, e uma vez por outra alguma televisão de gostos excêntricos, vêm perguntar ao autor destas linhas que livros recomendaria ele para ler no Verão. Tenho-me furtado sempre a responder, porquanto considero a leitura actividade suficientemente importante para dever ocupar-nos durante todo o ano, este em que estamos e todos os que vierem. Um dia, perante a insistência de um jornalista teimoso que não me largava a porta, resolvi ladear a questão de uma vez por todas, definindo o que então chamei a minha “família de espírito”, na qual, escusado será dizer, faria figura de último dos primos. Não foi uma simples lista de nomes, cada um deles levava a sua pequena justificação para que melhor se entendesse a escolha dos parentes. Incluí nos Cadernos de Lanzarote a imagem final da “árvore genealógica” que me tinha atrevido a esboçar e repito-a aqui para ilustração dos curiosos. Em primeiro lugar vinha Camões porque, como escrevi em O Ano da Morte de Ricardo Reis, todos os caminhos portugueses a ele vão dar. Seguiam-se depois o Padre António Vieira, porque a língua portuguesa nunca foi mais bela que quando a escreveu esse jesuíta, Cervantes, porque sem o autor do Quixote a Península Ibérica seria uma casa sem telhado, Montaigne, porque não precisou de Freud para saber quem era, Voltaire, porque perdeu as ilusões sobre a humanidade e sobreviveu ao desgosto, Raul Brandão, porque não é necessário ser um génio para escrever um livro genial, o Húmus, Fernando Pessoa, porque a porta por onde se chega a ele é a porta por onde se chega a Portugal (já tínhamos Camões, mas ainda nos faltava um Pessoa), Kafka, porque demonstrou que o homem é um coleóptero, Eça de Queiroz, porque ensinou a ironia aos portugueses, Jorge Luis Borges, porque inventou a literatura virtual, e, finalmente, Gogol, porque contemplou a vida humana e achou-a triste.


Que tal? Permitam-me agora os leitores uma sugestão. Organizem também a sua lista, definam a “família de espírito” literária a que mais se sentem ligados. Será uma boa ocupação para uma tarde na praia ou no campo. Ou em casa, se o dinheiro não deu para férias este ano.

12 Julho, 2009

Para quem gosta de fotografia

Encontrei um sítio que disponibiliza uma série de sítios que permitem organizar, armazenar, editar, compartilhar, publicar e brincar com suas fotos e com fotos de outros.

O sítio é uma caixa de ferramentas para fanáticos em fotografia se deleitarem com edição, reprodução e divulgação de fotos.

Esse link http://mashable.com/2007/06/23/photography-toolbox/ contem uma série de sítios organizados que permitem escolher a atividade a ser realizada com as fotos por descrição dos sítios.

Aproveitem ...

Decida

Estando na flor da idade
Ela saiu para passear
Mirando o horizonte
Até o topo da montanha

Chegando, olhou para baixo
Avistou um gramado lisinho lisinho
Logo imaginou ter um pedaço de papelão
Não hesitou

Arrancou a camisa
Sentou em cima
Se ajeitou
E curtiu o prazer da decida

07 Julho, 2009

Números

Olá pessoal,
estava navegando por blogs e acabei atracando em uma boa pedida. É o blog - este blog é minha rua. Ainda não tenho muitas informações sobre quem é o alimentador desse blog, porém tenho a certeza que se trata de um educador. Não apenas pelos posts que pude encontrar no blog mas também pelas indicações de sítios que podemos ver por lá.

Esse sítio é uma ótima indicação para quem se interessa por educação, conhecimento e atualidade. E para confirmar isso, vou reproduzir aqui um post realizado no dia 5 de julho nesse sítio. Se trata de um breve comentário seguido da reprodução do verso de Carlos Alberto Salustri ou Trissula, chamado Número.

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Estive dando uma vista d'olhos por Filosofando: Introdução à Filosofia (Maria Lúcia de Arruda ARANHA & Maria Helena Pires MARTINS- Moderna, 1994. 2ª Ed)e encontrei esses versos de Carlos Alberto Salustri ou Trissula, poeta italiano e amigo de Mussolini.

Trissula era um vate, um bardo que esgrimia palavras como um espadachim habilidoso, um D'Artagnan ou Cyrano de Bergerac, este último tão bom com a espada quanto com as palavras. Mas Trissula era conhecido por sua crítia mordaz, ácida e penetrante ao regime, inclusive ao seu amigo Mussolini, o ditador. Veja esses versos e reflita:


Eu valho muito pouco, sou sincero.
Dizia o Um ao Zero,
no entanto quanto vales tu? Na prática
és tão vazio e inconcludente
quanto na Matemática.
Ao passo que eu, se me coloco à frente
de cinco zeros bem iguais
a ti, sabes acaso quanto fico?
Cem mil, meu caro, nem um tico
a menos nem um tico a mais.
Questão de números. Aliás é aquilo
que sucede com todo ditador
que cresce em importância e em valor
quanto mais são os zeros a segui-lo.

06 Julho, 2009

Blue sky



I really don´t care where I am.
Serious!
No matter the wheater, I´m happy like a pig in the mud.

Of course I love the nature and I prefere thousands times more live near of my primitive condition then the new post-modern-x-generation-human being.
The multi-technological man, ready to listen his favorite song anywhere, or eat anykind he want at anytime he wish, doesn´t fancy me. The simple urban man is not myself.

I want something beyond this. Something bigger, but material lighter. Something that fits in mind but open new world doors. I want the expansive way of think, putting myself at the condition of feel different realities in the same body.
After feel, I wish to understand.
And then, after all, I wish to act in the same way. Making things right to everyone around. Mostly to people who walk in the same velocity and direction as mine. My friends, my family.

I really don´t care where I am.
Only with who I am.

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The sky has different forms.
But always there, above the clouds
It is blue, just blue.

23 Junho, 2009

If you say so - Alem



Instituições totalitárias permeiam a nossa vida.
Do nascimento a nossa morte temos contato com várias dessas instituições, seja o estado, a igreja ou a escola.
Todas elas tem um mote, um objetivo na sua existencia e reprodução.
Existem com a justificativa baseada na dinâmica social. Nossa atual geração só conhece o mundo com a existência delas. Atualmente não acredito que existam muitas pessoas no universo que pensam o planeta terra livre das instituições totalitárias.
A, aparentemente, mais catequizadora e castradora instuição que temos atualmente, a igreja, a muito não é obrigatória, porém continua entre nós. Influenciando nossas atitudes e, assim, o nosso futuro.
O Estado, coitado. Está aí também. Você nasce e já pertence a ele. Antes mesmo de se pertencer a si mesmo.
A Escola, vai ganhando força como berço da nação. Nas reuniões da ONU a importância da educação é sempre reforçada. É o primeiro passso. A tacada inicial. O primeiro teste. A primeira prova.

Todas essas intituições tem leis e regras. Coordenam o ritmo da nossa caminhada. Dizem o que podemos e o que não podemos fazer. Incriminam e recriminam. Julgam e subjulgam.
Fazem o que seus líderes querem.
E para isso, contam com instrumentos de repressão.
Temos a polícia no Estado,a diretoria na escola e o inferno(quando não a inquisição) na igreja.
Exorcizados e queimados todos os pecados/pecadores vão para "o saco".
O sem fundo, o sem consideração, o sem futuro.
É como se as pessoas recebessem um carrimbo. Daqueles que servem para marcar o gado.
NEGADO! REVOGADO! BANIDO! (o imprestável)

Funciona assim, você tem um empresa que produz livros.
A bobina que alimenta a quantidade de papel a ser impresa ficou velha e quebrou, porém ainda funciona. Mas não está mais produzindo de acordo com o necessário.
Para resolver o problema você compra outra bobina. Nova, cheia de força e energia e que pode aguentar por um bom tempo o processo de fabricação dos livros.
Essa nova bobina foi escolhida no meio de milhões de bobinas que foram fabricadas pela empresa de bobinas. Todas são igualmente identicas. O que as diferencia é o momento e o ponto no espaço que cada bobina ocupa. Isso faz com que algumas bobinas tenham o privilégio de ser utilizadas para fazer livros e etc, enquanto outras vão para o estoque de bobinas. Algumas bobinas tem a sorte de serem vendidas e aproveitadas, enquanto outras são postas de lado, esperando a chance de um dia serem utilizadas para demonstrar a sua capacidade. Entretanto as que não são vendidas vão para o arquivo morto, sendo substituidas por bobinas novas, feitas com nova tecnologia, fruto de um processo escolar atualizado.
E tudo começa novamente.
A troca da bobina é naturalmente aceita e tem caracter de necessidade!

Esse esquema é tão forte que as pessoas incorporam essa visão.
Se transformam na própria reprodução do sistema. Fazendo com que esse ganhe força e viva através do cotidiano.
E o que um dia eram meras bobinas se tornam meras pessoas.
Porém, na contabilidade final - Ambos são números.
E quando tudo são numeros tudo é naturalmente frio e sensato.
Julgar, Repossicionar, Negar, Recriminar, Avaliar, Contabilizar, Somar, Cortar, Estudar, Comprar, Fazer, Desejar, Se Preocupar, Crescer, Desenvolver, Vencer, Dizer Alem, Ir ao Museu e Dizer Alem.

22 Junho, 2009

O paradoxo da qualidade de vida

A qualidade de vida é um ideal bastante difuso mas que, aparentemente, estamos todos precisando. Hoje em dia, é obrigatório termos qualidade de vida. O conceito de qualidade de vida é usado para vender desde seguros a laxantes. A mídia nos sugere que, para ter qualidade de vida, é preciso ter. Ter alguma coisa, produtos, serviços ou o que o publicitário da hora quiser nos vender. Geralmente, anúncios ligados à qualidade de vida apresentam fotografias de crianças sorridentes, cães da raça labrador e jardins floridos.
Mais além da pressão pelo consumo que a sociedade possa nos impor, acredito que a qualidade de vida não esteja apenas em adquirir esses produtos ou serviços, nem apenas em respirar ar puro ou alimentar-se bem. Qualidade de vida, num sentido mais amplo, é também ser dono do seu próprio destino, ser capaz de fazer da sua vida uma obra de arte.
Podemos distinguir três diferentes aspectos na qualidade de vida: 1) a qualidade da relação que mantemos com a natureza, 2) a qualidade da relação que mantemos com os demais, e 3) a qualidade da relação que mantemos com nós mesmos.

1) A relação com a natureza
A qualidade de vida, no primeiro aspecto, significa verificar se o ar que respiramos é o ar que gostaríamos de respirar, ver se a água que bebemos é a água que gostaríamos de beber, se o chão que pisamos é o que gostaríamos de pisar, etc. A sociedade urbana contemporânea organizaou a vida humana de tal maneira que há muito pouco espaço para o contato com a natureza.
Por exemplo, você lembra quado foi a última vez que sentou à frente de uma fogueira? Quando foi a última vez que viu ao vivo uma baleia ou um golfinho? Você consegue apontar para o norte desde a janela do seu quarto? Em que fase encontra-se a lua neste momento? Dedicar alguns momento diários ao contato com a natureza, seja tomando sol, caminhando descalço ou apenas sentando embaixo de uma árvore, são pequenos atos que nos trazem calma e nos ajudam a harmonizar nossos ritmos interiores com o ritmo em que pulsa a força criativa do universo.

2) A relação com os demais
Todas as relações humanas, bem como aquelas que fazemos em direção à natureza, deveríam estar pautadas pela princípio áureo da reciprocidade: não faça aos demais aquilo que não gostaria que os demais fizessem consigo. Ésta afirmação é universal, e pode ser encontrada, com pequenas variações, em todos os códigos de convivência de todas as culturas e civilizações. Da mesma forma, deveríamos estender essa atitude a todas as criaturas vivas. Isso chama-se dharma. Ninguém devería questionar o direito do outro a viver.
Os humanos, diferentemente das plantas e dos animais, somos dotados de livre arbítrio. Todos damos muita importância à nossa liberdade mas, a bem da verdade, nem sempre sabemos o que fazer com ela. Quando os atos nascidos do meu livre arbítrio ferem o direito dos demais, estou atropelando o dharma. Isto não produz desconforto imediato apenas para o outro, mas também para mim mesmo. Nem sempre consigo perceber isso de maneira clara a conexão entre o desconforto do outro e o meu próprio desconforto.
Muitas vezes exigimos atitudes dos demais em relação a nós mesmos, mas não estamos dispostos a sermos recíprocos fazendo a nossa parte.

3) A relação consigo próprio
Este terceiro aspecto da qualidade de vida, acredito, é o mais importante de todos. Como podemos estabelecer alguma relação com nós mesmos, se não nos conhecemos? Meu amigo Shane McCrudden, da Austrália, realizou um documentário muito interessante chamado The Burning Question, título que poderíamos traduzir livremente para o português como “a pergunta que não quer calar” ( http://www.youtube.com/watch?v=A69GMYraXsQ ). Ele entrevistou muitas pessoas diferentes, fazendo a todas uma única pergunta: “quem é você, realmente?” É incrível como as pessoas, defronte à pergunta, desviavam os olhos da lente e só respondiam com evasivas ou com um constrangedor silêncio recheado de expressões faciais muito eloqüentes.
A imensa maioria das pessoas não consegue relacionar-se corretamente consigo próprias por causa do analfabetismo existencial. Nós não sabemos quem somos. Isto é mais grave do que não saber onde fica o Brasil no mapa-múndi. Se não tenho claro quem sou, como poderei me relacionar comigo mesmo e com os demais? Além das necessidades do meu corpo, das dúvidas da minha mente ou dos desejos do meu ego, eu sou uma pessoa simples e tranqüila, e que a matéria prima da qual estou fabricado é felicidade e plenitude, verdadeira e auto-consciente. Nada mais. Tendo isso claro, percebo a minha qualidade de vida como um objetivo mais concreto e fácil de ser alcançado.

A boa vida é a vida feliz


A idéia de qualidade de vida nos lembra aquilo que na Grécia antiga, há mais de 2300 anos, o filósofo Aristóteles chamou a boa vida. Boa vida não é exatamente o “vidão” que está no imaginário da maioria das pessoas.
O resultado dessa boa vida é um estado de felicidade que está vinculado com a realização mais elevada do ser humano, que Aristóteles denominou eudaimonia. A boa vida, segundo ele, é uma condição na qual os indivíduos podem viver plenamente felizes e realizados. Não é apenas ter alegria, conforto, prazer ou segurança.
Este filósofo considerava a ética como uma ciência prática, na qual fazer era mais importante do que apenas refletir, e que ela que tinha um papel fundamental na realização da boa vida. Assim, ele ensinava que todas as ações humanas deviam estar em função desse bem maior que é a felicidade, que ao mesmo tempo permeia e resulta da boa vida. Aristóteles pensava que, para realizar a boa vida, devemos viver uma vida equilibrada, evitando os excessos, e que esse equilíbrio deve ser individualizado para cada pessoa.

O caminho do meio


Algo que caracteriza o pensamento deste grande filósofo é a busca do caminho do meio, que ele chamou de meio áureo. Esse meio áureo é o ponto de equilíbrio desejável entre o excesso e a deficiência. Por exemplo, no caso do sentimento de coragem, é preciso encontrarmos o ponto de equilíbrio entre o medo e a confiança. Excesso de medo ou falta de confiança podem nos imobilizar. Excesso de confiança ou ausência de medo podem nos levar a agir de modo torpe ou precipitado. O mesmo vale para os demais sentimentos vinculados com a tomada de decisões e a realização de ações.
O florescer da felicidade nada tem a ver com honra, riquezas ou poder, mas com a atividade racional dentro dos parâmetros da virtude. Trocando em miúdos, com fazer a coisa certa. Tal atitude manifesta virtudes do carácter como a honestidade, a fraternidade, a temperança e a eqüanimidade. Esse estado de plenitude ativa foi chamada summun bonum, o bem supremo, aquele fim que não serve como meio para mais nada, mas que justifica todos os meios, pois é o fim definitivo.
A boa vida não é uma vida de busca de prazeres ou satisfação pessoal, mas é a vida mais prazerosa. A boa vida não é uma vida que busque a riqueza pela riqueza em si mesma, mas um fim ao qual a riqueza está subordinada. A boa vida não alimenta a necessidade de reconhecimento por parte dos demais, pois a pessoa que a cultiva encontra a dignidade intrínseca a ela própria. A boa vida não busca a virtude, pois a virtude é uma conseqüência de cultivar a consciência, e não a causa dela.
Em suma, a vida de uma pessoa plena, satisfeita e feliz, é uma vida completa em si mesma. Concluíndo, podemos perceber a importância do auto-conhecimento para termos uma vida plena e feliz. Sem esse auto-conhecimento, de nada nos vale ter uma vida próspera e confortável, num lugar tranqüilo onde se respira ar puro, pois continuaremos sem contentamento.


Pedro Kupfer



Pedro Kupfer é uma das pessoas mais sensatas que conheci, por isso resolvi compartilhar um dos seus textos.

16 Junho, 2009

Felicidade palavra coletiva

Foi, voltou e terminou no canto.
A festa não era das mais animadas, porém ele também não consegui encontrar dentro de si a alegria para se motivar por conta própria.
A culpa caiu sobre a música, as pessoas, o ambiente e o preço das bebidas.
Não que não existisse uma auto-crítica. Pelo contrário, esse movimento cerebral estava em ação a todo o momento. Entretanto, seria um fardo muito pesado a ser carregado pelo próprio corpo, precisava compartir o fardo da derrota com o mundo.

Sim, a infelicidade precisa ser compartilhada, da mesma forma que a felicidade é. Se a felicidade é coletiva, porque não fazer da infelicidade a mesma matéria.
A gente atribui à x, y e z os motivos da nossa alegria. Que seja a sorte, o detalhe ou o conjunto. Tudo conspirando na mesma direção, fazendo nosso astro brilhar. Transformando o cinza em azul e assim por diante.
Mas de onde vem a tristeza? Seria a falta de sorte a origem da tristeza? Seriam vários detalhes? Seria todo o conjunto? Dificil explicar.
Provas e contrasprovas estão por todos os cantos. Podemos encontrar diversos tipos de pessoas, das mais variadas, das que tem todos os bens materias e são infelizes as que não tem nada disso e são felizes.

Eu penso e repenso essa condição. Sinto isso na minha vida, a cada passo. Parece até que é culpa do chão. Como aquelas vezes que vc esta quentinho e pisa descalço sobre o chão gelado da cozinha. Seu corpo não esfria direto, vai esfriando aos poucos, e quando vê, está com frio.
Sinto isso. Minha vida esquenta e esfria. Parece até que o calor é o motivador do frio e o frio é o motivador do calor, ou felicidade gera a infelicidade e vice e versa. Valorizo o passado quando percebo isso. Valorizo cada momento, cada interação. Tenho a certeza que ela foi única e teve uma razão de ser. Sou o que sou por conta do que passei, do que vivi e do que consegui absorver para mim. Humm, e estava esquecendo, sou o que sou também por conta do que consegui transmitir para os demais que estão a minha volta.

Afinal, se a felicidade (e a infelicidade) é coletiva mesmo, espero poder ser o propagador da mesma, seja pelos momentos que vivo por mim ou pelos que vivo através de meus companheiros. E espero que aos meus companheiros eu não seja só um felicidade-suga, mas um infelicidade-suga também, e que nesse proceso eu também possa ajuda-los a compreender melhor todas as fazes da vida.